Mudar de endereço leva tempo. São muitas coisas para organizar até que tudo fique do jeitinho que queremos. Mesmo assim, as portas já estão abertas para as visitas! O blog continua com a proposta de ser um espaço para publicar meus textos e dividir coisas bacanas. Ah, o daqui vai continuar, claro. São muitas coisas já publicadas. :)
Passa lá, deixe seu comentário e acompanhe, vai!
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Reflexos e reflexões
domingo, 23 de janeiro de 2011
terça-feira, 11 de janeiro de 2011
Tá quase!
Demorou, né? Faz quase um ano que to falando em mudar a cara do blog, postar mais e fazer dele um espaço pessoal, sim, mas ainda mais bacana. Tá quase na hora! Já até cansei um pouquinho do layout e to cheia de ideias novas, mas tenho que me conter. A intenção é uma só: não parar de escrever e dividir com vocês tudo que gosto, penso, leio, vejo, ouço... Continua sendo Reflexos e Reflexões - já já em outro endereço e conteúdos diferentes (tomara!).
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sábado, 20 de novembro de 2010
Sexta-feira.
Ela estava mais cansada do que de costume. Tinha sido uma sexta feira de muito calor. O ar abafado piorava a sensação de fadiga. Nem mesmo o vento fresco do final da noite aliviava. O pé já não cabia no sapato de salto. Durante horas a fio, manteve a elegância. A coluna agora curvava ligeiramente. Prendera o cabelo suado para trás num coque desarrumado. A maquiagem borrava discretamente no canto dos olhos. A vista pesava. A perna mal se segurava em pé. No ponto de ônibus, aguardava ansiosamente sua vez de partir para casa. A boca amargava de fome. O ronco da barriga assombrava, mas ela só conseguia pensar em um banho fresco e na cama pronta para deitar.
Avistou o 302 de longe e sorriu internamente. A fila para entrar só tornava a espera mais aflita. Conseguiu o último lugar vazio. Fechou os olhos, encostou a cabeça no vidro e, quando finalmente pensou que relaxaria os dedos moídos, ouviu um maldito batuque de funk. Logo atrás dela, um celular, no volume máximo, chiava alguma coisa sobre piranhas e o batidão. Zunia. O som invadia sua cabeça sem dó. Arranhava como um giz de cera na lousa.
Quis jogar pela janela o aparelho infernal. Se o bonde não estivesse todo ali, não teria se segurado. Respirou fundo, pegou o caderno na bolsa e começou a escrever um esboço sobre qualquer manifesto pelo uso de fone de ouvido nos ônibus populares. Não saia nada. Ela só conseguia lamentar pelo dia em que a volta para casa tinha sido ainda mais longa. Já era sábado e sua cama permanecia uma ilusão. Mais irreal que o zunido gritado que ficaria grudado como o suor em sua pele cansada. Ficou torcendo para que a bateria do aparelho acabasse no trajeto. Mas isso não aconteceu.
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P.S. Nada contra o funk. E ah, texto realmente rabiscado no caderno na volta de ônibus naquela tal sexta-feira.
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Um voto pela mudança de atitude
Fim de eleições. Entre a felicidade de ver a primeira mulher eleita presidente do país e a tristeza de pensar nos significados atuais da política, sinto um incômodo terrível. Não me incomoda o resultado das urnas, nem muito menos o fato de que estarei trabalhando até depois de uma da manhã. Ao ouvir o discurso de Dilma, me sinto medíocre. Sei que discursos são apenas discursos. Eles escondem, falseiam, mas sempre dizem o melhor que poderia ser dito.
Me incomodo ao pensar na realidade do país em um dia tão importante para a democracia e saber que não faço praticamente nada do que poderia fazer para que ela seja transformada. Voto. Procuro trabalhar com honestidade. E amadureço a cada dia para tentar ser uma pessoa melhor. Mas ainda é muito pouco.
Meus problemas, minhas neuras e minhas metas são egoístas assim como a de quase todas outras pessoas. Meu umbigo é o centro e não acho que deveria deixar de ser. Nós somos protagonistas de nossas vidas, mas não podemos nos fechar nelas. Me sinto medíocre porque me contento com o dinheiro conquistado com o trabalho e me satisfaço com bebidas, mesas fartas, risadas, dinheiro gasto com futilidades e uma vida vazia. Não, minha vida não é vazia. Tenho família, namorado, amigos e algum propósito dentro de mim. Mas ainda assim é muito pouco.
Lá fora, longe daqui, tem gente morrendo, sofrendo, passando fome, pedindo esmola, esperando atendimento médico, aguardando uma mão amiga, torcendo por uma oportunidade. Eu, que tantas vezes reclamo em demasia, tenho em minhas mãos a chance de ser parte importante disso tudo. Parte determiada a fazer alguma coisa, por menor que seja. Tenho saúde, condições, estudo e um incômodo muito grande.
Tantas pessoas sentem o mesmo e diariamente saem da zona de conforto. Atuam em ONGs, no bairro, no prédio onde moram, na cidade, no país, no mundo. Infelizmente, muitas outras se incomodam e voltam para seus mundinhos como em um passe de mágica. Passam pelo mendigo, comentam o sofrimento que alastra o mundo e rapidamente já estão desperdiçando o que ganham com fartura.
Não quero nos responsibilizar pelo caos, nem dizer que devemos nos tornar beatos, militantes políticos enfurecidos ou ativistas radicais. Quero apenas que esse incômodo dentro de mim se transforme em ações práticas. Quem quiser, que venha junto.
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reflexões
domingo, 3 de outubro de 2010
Enfim, minha primeira tattoo
Não fiz pela originalidade, até porque levei vários modelos de inspiração para o tatuador fazer o desenho. Nem fiz por achar a coisa mais lindinha e delicada do mundo.
O fato é que desde os 18 anos quero fazer uma tattoo de asas. Foi só aos 22 que comecei a pensar sério nisso. E depois de mais ou menos dois meses com o desenho pronto, fui lá e fiz. Isso mostra um pouco da minha dificuldade em tomar decisões: foram cerca de quatro anos entre querer e fazer. Pra fazer uma tatuagem tem que ter certeza, pelo menos é o que dizem. Devo ter levado isso muito a sério.
De acordo com uma pesquisa que indevidamente encontrei na internet um dia depois, mais da metade das pessoas se arrependem da tattoo (Fonte questionável: Um estudo nos EUA diz que 60% das pessoas que fazem tatuagem querem tirá-la depois de três anos).
O importante é escolher alguma coisa que signifique para você. Mesmo que daqui a 10 anos não seja nada, você vai sempre se lembrar da época e dos motivos. Ou então, escolha por escolher se você não for tão neurótico como eu.
Não vou analisar a simbologia das asas. É fácil imaginar, mas o que elas querem dizer, dizem só para mim :) (Outra coisa que aprendi depois que fiz a tattoo: ela é sua e de mais ninguém. Pra mim é um grande avanço porque sou daquelas que se importa até demais com a opinião dos outros).
Chega de papo... pra quem ficou curioso, aí estão minhas asinhas!
Foto de perfil!? Quem me conhece estranhou isso, não é? rs
Ainda está cicatrizando, por isso essa aparência quando olha de perto. Tá dando casquinha já!
Obs. Já to planejando fazer a próxima!
Obs2. Sim, dói um bocado! Mas dá pra aguentar fácil, até pra mim que sinto muuita dor até tirando sobrancelha.
quinta-feira, 16 de setembro de 2010
O menino e o elevador
Ele entrou silenciosamente no local. Olhava para os lados e andava cuidadosamente para que ninguém o notasse. Observou os espelhos no corredor, admirou o piso lustroso e conferiu mais uma vez o papel que trazia na mão. Diante do elevador, parecia pensativo. Tocou no interruptor de luz e se assustou. Abaixou a cabeça timidamente. Uma mulher apressada o ultrapassou e apertou o botão. A porta abriu e eles entraram.
Diante de um mundo em que tudo parece tão banal, a cena que presenciei no hall de um prédio comercial me chamou a atenção. O menino bem vestido com roupas aparentemente novas parecia cercado de novidades. Ele não estava acostumado com aquele mundo. Não o vi mais, nem pude ver seu rosto ao chegar no 10º, 15º... qualquer que fosse o andar para qual estava indo. Mas sei que aquele momento ficou marcado na sua história.
Continuei na cadeira esperando pela minha hora de subir. Ri sozinha do momento em que ele apagou a luz do corredor. E fiquei a imaginar coisas assim que a gente experimenta pela primeira vez, mas são tão simples e comuns para os outros.
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domingo, 12 de setembro de 2010
Quando dormir não é a solução
Quanto mais coisas na cabeça, menos conseguimos dormir. Mais cansados ficamos também. Em qualquer roda de conversa, é fácil encontrar alguém reclamando de noites mal dormidas. As olheiras fundas entregam a luta contra a insônia. É praticamente impossível desligar os pensamentos quando temos pressa e somos tomados por problemas que se multiplicam pedindo por solução imediata. Alguns casos são mais graves, outros acontecem em momentos específicos.
Comigo sempre foi assim. A falta de sono costuma acompanhar fases de decisão ou de mudança. O dia antes de qualquer coisa relativamente importante também significa revirar na cama até o amanhecer. Antes dos primeiros dias de aula, antes do primeiro dia no estágio, as semanas antes da formatura... O medo também me tira o sono, mas isso é assunto pra terapia e não pra post.
Por outro lado, muitas vezes dormir não é a solução. Quando fico triste, minha cama vira meu refúgio. Ao sofrer, muita gente bebe, come demais ou chora o tempo inteiro. Eu durmo. Fechar os olhos e entrar num mundo longe da razão da minha tristeza, apenas isso. Mesmo quando acordo já sem sono, faço de tudo para voltar de novo a esse lugar tão especial. Nem sempre acontece. O problema é que quanto mais durmo, mais quero dormir. Até ficar praticamente impossível não encarar a realidade, permaneço longe no conforto e na paz dos meus sonhos.
Por falar em sonhos, quem me conhece sabe que sou uma sonhadora compulsiva (inventei o nome agora). Acordo e relato os sonhos mais mirabolantes com detalhes imprevisíveis - leia o post 'Eu tive um sonho'. Na semana passada a Istoé veio com uma capa em minha homenagem. A reportagem Por que os sonhos nos ajudam a viver melhor não fala dessa história de dormir pra não encarar a vida, mas sim de pesquisas realizadas no mundo sobre os benefícios dos sonhos e muitas outras informações sobre o assunto. Vale a leitura! A primeira parte da reportagem aqui e a segunda aqui.
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